Professor Substituto: Manual de sobrevivência

A maioria dos professores iniciantes sobe vários degraus antes de chegar a regência de determinada sala e fixar-se em determinada instituição. No setor público é comum que mesmo os concursados iniciem nas escolas como professores substitutos de uma única unidade, o que sem dúvidas, é bem desafiante. Ao longo da minha experiência (que ainda é bem modesta), notei que por não estarem fixos em uma sala e por estarem sujeitos a outras atribuições e requerimentos da equipe gestora, alguns substitutos se acomodam e são vistos como “horácios” da unidade, que deixam a coisa acontecer quando estão substituindo, sem se envolver com a sala, sem trazer propostas e sem atuar como professor nestas ocasiões.

Em 2012, se tudo der certo, vou subir para o degrau da substituição em minha carreira e para isto li bastante a respeito e decidi compartilhar as informações interessantes e válidas que encontrei.

O INÍCIO

Quando iniciamos em um novo espaço temos que lidar com várias questões, como novos relacionamentos, novo ambiente, novas regras, nova gestão, nova filosofia, e principalmente com a descredibilidade e expectativas iniciais, pois ninguém conhece nosso trabalho ainda.

É importante que nossa postura seja de prontidão e total disponibilidade para que percebam que não somos peso morto ali e que fazemos parte do quadro de docentes, ou seja, estamos aptos a auxiliar no cotidiano, trazer sugestões,  e contribuir ainda mais para o trabalho de cada professor regente em seu cotidiano, além do trabalho desenvolvido pela escola como um todo.

Quando colocamos o pé na instituição, não devemos esperar que alguém nos procure para nos atribuir tarefas. Somos professores e sabemos porque estamos ali.

 Recomendo que ao chegar, é interessante passar de sala em sala para ver se todas as professoras chegaram e imediatamente assumir a classe quando a professora regente ainda não estiver.  Se o quadro estiver completo, perguntar se podemos auxiliar em alguma coisa. Se nenhuma precisar de auxílio, perguntar para a equipe gestora o que podemos fazer naquele dia. A iniciativa é muito importante, pois traz respeito e reconhecimento como consequências.

Outra iniciativa importante é fazer um registro com o nome dos alunos, informações e horários de atividades de cada sala da unidade escolar. Isso vai nos nortear quando tivermos que substituir, evitando que tempo seja perdido atrás deste tipo de informação e além disso nos deixará confiantes em nossa atuação e, passará credibilidade e segurança para os alunos, professores e gestores.

Também é necessário ter planos de aula adaptáveis prontos. A rotina deve ser contemplada e os conteúdos trabalhados devem ser considerados, para que sua aula não seja considerada como um “tapa-buraco” e sim como sequência do trabalho do professor regente.

PROFESSOR SUBSTITUTO EM AÇÃO

Quando tivermos que assumir uma sala, seja por um breve ou longo período devemos nos atentar para as seguintes considerações:

  1. Separar e organizar os materiais ou recursos que utilizaremos nas aulas previamente. Vale a pena chegar minutos antes para garantir que a sala de vídeo estará aberta,  a biblioteca pronta para receber os alunos, o parque em condições adequadas e não ocupado por outra turma, e para separar os materiais necessários para as atividades como cartolina, tinta, entre outros.  Já perdi muito tempo correndo atrás de chave e outros recursos e sei o quanto isso contribui de forma negativa para a execução da proposta, além de provocar agitação e impaciência desnecessárias nos alunos.
  2. Apresentar-se para a sala e pedir para que se apresentem de forma organizada. Os primeiros minutos em sala são decisivos pois transmitimos para nossos alunos muito mais do que imaginamos. É interessante que o professor entre na sala e os trate como gostaria de ser tratado. Entrar calmamente, olhar para a sala e cumprimentar respeitosamente é fundamental, pois quem gostaria de participar de uma aula ou palestra em que o professor ou palestrante fizesse uma entrada atordoada e mal nos cumprimentasse ou ainda fizesse isso de forma desrespeitosa? Acredito que ninguém. Se apresentar é uma forma de estabelecer vínculos e não só permitir que falem por si, mas também reconhecê-los e chamá-los pelo nome é uma forma de fortalecer a relação. A postura deles muda quando eles tem consciência de que você realmente sabe quem são! Outro ponto importante é inf ormá-los do motivo pelo qual você está ali. Não precisa detalhar, mas eles tem vínculos com o professor regente e essa informação acaba com a agitação inicial e possíveis especulações.
  3. Estabelecer regras e combinados em comum acordo com os alunos. Explicar sua forma de trabalhar e seus objetivos ali dimui a ansiedade deles, e estabelecer as regras e combinados em conjunto é importante para que eles te respeitem enquanto profissional e saibam das consequências para transgressões que foram decididas por eles mesmos. No final, eles mesmos serão fiscais ou juízes do cumprimento ou não das regras de combinados. É importante que sejam colocadas consequências possíveis, pois o professor deve ter sua prática coerente com seu discurso e deve manter o que foi estabelecido, afinal essas regras e combinados são as leis daquela sala.
  4. Lidar com possíveis comparações de forma adequada. A tendência para os primeiros momentos é de que eles nos testem, o que ocorre de inúmeras formas, mas a mais comum é o estabelecimento de comparações com o professor regente da sala. Para sair dessa saia justa e resolver essa situação de forma adequada, é importante manter a calma em primeiro lugar e deixar claro qual seu papel ali dentro, explicar que cada um possui uma forma de trabalhar, para isso estabeleceram as regras e combinados e que enquanto você estiver com a sala será desta forma, mas que se tiverem sugestões podem se manifestar. Jamais critique a professora regente na sala, ou qualquer outro professor ou profissional da unidade. Isso não é ético e só traz consequências negativas.
  5. Gerenciamento da sala de aula e organização. Mantenha o espaço organizado, e estimule-os a manter o mesmo a partir do seu exemplo. Não deixe passar acúmu-lo de lixo e sujeira no chão. É importante que eles tomem consciência da necessidade de conservar o espaço que é deles! Com o tempo eles se acostumarão a organizar tudo quando concluírem as tarefas. Ficará melhor para eles, para você e a equipe gestora também valorizará essa prática. Em uma das unidades que trabalhei, a professora sempre levava um agrado para as crianças, como doces, figurinhas, etc. Ela não usava como uma recompensa baseada na troca ou interesse, e sim para valorizar a postura e o trabalho do grupo no dia. Sem anunciar previamente, ao final de um dia produtivo, ela organizava a roda, contava uma história ou abria o espaço para uma conversa e sempre ressaltava os pontos positivos e negativos do dia. Ao final, chamava um por um para pegar o agrado no pote, sempre fazendo algum comentário construtivo para cada criança. Eles se sentiam muito importantes e melhoravam suas atitudes no cotidiano.
  6. Traga propostas diferenciadas. Traga jogos, quebra-cabeças, dinâmicas ou ainda separe momentos para propostas ao ar livre ou em outros espaços.

Estas são algumas considerações importantes para o início. Com esforço genuíno, pesquisa e iniciativa tudo tende a dar certo!

Aproveite também para compartilhar experiências com outros professores e com os gestores, certamente as vivências dos outros sempre irão acrescentar neste trabalho!

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